sábado, 23 de julho de 2011
Teatro da Vida
A melhor escola de teatro do mundo é a vida. A gente aprende na marra mesmo, quem está e quem não está atuando. O mais engraçado é que, mesmo trabalhando mal, continuam agindo como se nada estivesse acontecendo. Como se o coração dos outros fosse um palco, e pisam nele sem intenção nenhuma de fechar a cortina.
Eu nem sei por que as pessoas são assim. Talvez por desespero, por fraqueza de tentar mudar o mundinho delas. De repente, por maldade mesmo – mas acho improvável. Até pode ser que pela ânsia de viver várias vidas, os próprios protagonistas acreditam nas mentiras – como se fossem novelas diferentes... Paro por aqui com as minhas hipóteses “semi-entendíveis” e falo sobre o que eu sei de verdade, e tenho certeza:
Dói. Muito. Ver que seu coração serve como um palco sem cortinas. Que pisam nele como se estivessem voando. Isso sem nem hesitar. Sem nem consultar a consciência. Dói quando sabemos quem está por trás da máscara, mas não podemos contar a ninguém só para poder mostrar à platéia um personagem perfeito. Mas nada real. Platéia que provavelmente vai esquecer-se de tudo na manhã seguinte. Mas tudo que importa são as críticas dos jornais, não é? Agradar a platéia, é claro, também é essencial.
Pena que as vezes os “atores da vida” esquecem que, quando as cortinas finalmente fecharem, a platéia vai ter ido embora. E talvez quem os ama de verdade possa ter cansado de esperar, e ir embora também.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Dois Eles
Era impossível conversar com alguém assim. Até pensava em doença, daquelas psicológicas agravadas pelo caos do mundo. A fome de viver talvez o tivesse feito matar. Não com armas de fogo nem com sangue, mas com alma. A ânsia de ter duas vidas que coexistiam completamente paralelas o fez esquecer que ninguém pode ter tudo o que quer. Muito menos duas vidas que, supostamente, nunca se encontrariam.
Talvez naquela época ainda não se lesse a “Sorte de Hoje”, então ele nunca ouvira falar em “Se não quiser que ninguém saiba, não faça”. E o fez. Sua consciência não impedia nada. Ele continuou assim. Em dois mares de vida... Mal sabia que os mares passariam por um período de muito frio, que os congelaria. E nenhum peixe sobreviveria.
Foi um erro bobo. Mas ele mesmo – talvez com a ajuda do destino, que não deixa barato a quem mente – entregou-se a confusão. Não só no momento em que resolveu concretizá-la, mas também quando deixou a prova a mercê da vida número um. Corações congelaram dentro do mar. Urubus voavam para comer os restos das almas que por ali vagavam. Mas passavam reto. Era uma sujeira que esses animais não conseguiam tirar do ambiente. E ali permaneceu, empilhando e criando um lixão (de sentimentos) que contaminava tudo perto: da água às cores. O céu tornou-se preto e cinza com a nevasca que chegara.
Do outro lado, ele atendia por outro nome. Na vida número dois era outra pessoa. A própria vida era bem mais fácil: nela só era conhecidos os sorrisos e gargalhadas. Lágrimas e discussões não tinham vez. Era incompleta, falsa. Ilusória. E por isso mesmo, vida era um termo errado para o que existia por ali.
Como uma profecia, só ele – o dono das vidas – poderia descongelar os mares. Ressuscitar as almas que ainda restavam. E, quem sabe, até regenerá-las. A decisão não pertencia a mais ninguém. O preço que deveria pagar? Abriria mão, completamente, de uma das vidas. Aceitaria prós e contras. Ele deveria escolher entre o amor e o que ele achava que era amor.
terça-feira, 12 de julho de 2011
Time do Bem
Ao som de:
(Meu protesto...)
Século XXI. Sempre foi assim? Quer dizer, pessoas “boas” sempre se dando mal, e não só isso: tudo mundo sabe que o pessoal do bem nem sempre se dá bem.
Ninguém é perfeito nem completo. A capacidade do ser humano de doar-se a um sentimento maior e completarem uns aos outros já não existe mais. O que há é o medo da própria raça. Um canibalismo sentimental. O respeito entre as pessoas tornou-se perda de tempo. Olho por olho e dente por dente é uma ótima decisão. Vingança é indispensável; distância também.
O preconceito já não é mais combatido com igualdade. Mas sim, cada vez com mais preconceito; divisões e definições. Se somos todos iguais, porque ainda existem termos para diferenciação? Ninguém é igual a ninguém. A supervalorização das diferenças nos deixa cada vez mais afastados uns dos outros.
É muito mais fácil viver com todas as coisas mundanas que existem por aí. Colocar a culpa em qualquer desilusão e afogar-se em um copo de cerveja é fraqueza para a qual ninguém nasceu. Não existem desculpas. Se você chegou a algum lugar e não gosto é só voltar pelo caminho inverso – parar no bar do fim da estrada não vai ajudar muito. É fácil tropeçar na primeira pedra que há no caminho e lá ficar. Difícil mesmo é levantar-se e mostrar ao mudo – e a si mesmo – que você tem valor. E que sua vida também.
Poucos de nós almejamos fazer parte do Time do Bem. Porque, é claro, “ser bonzinho nos dias de hoje não trás bons resultados”. Ajudar o próximo é burrice, obviamente, você se daria mal: “Vai em frente, dá a mão que já te roubam o braço inteiro”. Ou pior: podem descobrir que você ajudou alguém! Imagine? Todos seus amigos super descolados nunca mais te chamariam para sair e fazer besteiras em plena quinta-feira se soubessem de um absurdo desses... Sua imagem ficaria des-tru-i-da.
E tantas coisas horríveis que passam nos jornais, todos os dias, é fruto do caos que se encontra nossa sociedade. Caos que todos os dias é criticado por todos nós, que tantas vezes culpamos a Deus por tanta coisa errada. Somos incapazes de olhar nosso próprio umbigo e aceitar que a culpa... É toda nossa.
Se sempre foi assim, não sei. Eu quero fazer parte do Time do Bem. Eu quero ter orgulho de ajudar e ter um coração. Eu vou me esforçar para fazer sempre o certo seja lá qual for a opinião da sociedade. Eu vou correr atrás. Eu quero sempre melhorar. Eu sei que tudo vai dar certo. Como eu sei disso? É porque eu amo. E o amor é maior do que tudo e todos. E como eu tenho certeza de que todas as vezes que eu cair, levantarei? É porque eu tenho a Deus. Todos nós O temos, mas nem todos conseguimos enxergar. E quando meus olhos se fecharem, eu sei que tem muita gente que vai abri-los para mim outra vez. E eu tenho orgulho de contar que me Time do Bem é grande e está crescendo cada vez mais.
sábado, 9 de julho de 2011
A Outra Parte
(sobre mudanças...)
Por um instante, desejou que nada daquilo tivesse acontecido e que o momento que proporcionou um giro em sua vida não passasse de um sonho. Um sonho muito bom. Daqueles que fazem a gente se perguntar “porque não podia ser verdade?”. Mas os sonhos não acabam porque não existem. E tudo que é real... Ah! Agradeça se durar alguns segundos. Principalmente no século XXI, que a vingança não vem a cavalo e nem é um prato que se come frio. Aquelas tantas obras do futurismo tornaram-se lentas.
Por um instante, desejou que nada daquilo tivesse acontecido e que o momento que proporcionou um giro em sua vida não passasse de um sonho. Um sonho muito bom. Daqueles que fazem a gente se perguntar “porque não podia ser verdade?”. Mas os sonhos não acabam porque não existem. E tudo que é real... Ah! Agradeça se durar alguns segundos. Principalmente no século XXI, que a vingança não vem a cavalo e nem é um prato que se come frio. Aquelas tantas obras do futurismo tornaram-se lentas.
Conselhos e explicações ou quaisquer outras palavras enchiam sua cabeça prestes a explodir. Dois ouvidos eram poucos para captar tantos comentários. As palavras todas se misturavam em seja lá qual parte do cérebro isso acontece. E mais nada fazia sentido. Sua cabeça girava, vagando entre o certo e o real. Ou talvez o real e o certo fossem a mesma coisa. Ou nem se quer existiam. Ou... Milhões de especulações. As poucas palavras que tentava jogar ao vento saiam em sílabas mal feitas que tentavam passar, com muita dificuldade, alguma explicação para si mesma.
Mas o pior era entender todas as versões (ou pensar que entendia). Tanta compreensão a deixava de mãos e pés atados. E por mais que tentasse fazer qualquer coisa, ela mesma, sempre tão perfeccionista, já encontrava os sete erros da vez. Buscava incessantemente qualquer resposta que acalmasse seu coração. Mas parecia em vão.
Já estava desconfiando que, talvez, fosse assim mesmo. As melhores coisas vinham e iam. E que aquele primeiro passo para mudar o mundo não fosse, de fato, mudar alguma coisa. Mas tentar mudar. E num só tiro, atingiu dois alvos: aprendeu, também, que sua hora nem sempre é a hora certa para mudar alguma coisa.
Finalmente, chegou a conclusão que o melhor mesmo era dizer “adeus”. Talvez aos pouquinhos e talvez não completamente. E manteve-se obrigada a aceitar que não ia poder fazer mais nada para si, mas talvez para os outros estivesse fazendo um favor.
Mas uma parte de si nunca ia entender.
A outra parte pensava que algum dia entenderia. Estava feliz porque havia acontecido e mudado tudo dentro de si. Essa mesma outra parte aceitava tão tranquilamente as mudanças que não se notava nenhuma diferença nas batidas do seu coração. A outra parte seguiu em frente e criou uma alma nova. E deixou a primeira para trás. A outra parte era maior e crescia cada vez mais. E estava sempre pronta para a próxima fase e o chefão não tinha chances. A outra parte sabia que o eterno não pertencia a este mundo, mas um dia pertenceria a ela.
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