A pesar de tudo, essa mania de insistir em sorrir me persegue. Já
tentaram me alertar, já falaram e contestaram que o mundo é mau e que as
pessoas não valem a pena. Mas, eu não perco essa maldita mania.
Já me falaram que eu
ainda vou ligar, chorando, falando que é verdade: que o mundo não presta. Se um
dia eu fizer isso, saiba que vou voltar atrás. O mundo pode não ser sempre
legal comigo ou com você, e as pessoas vão nos decepcionar. E sim, vai doer. Talvez,
mais do que imaginamos. Mas, só não sente tristeza quem está morto. Depois de
chorar, eu vou voltar a acreditar, sempre.
Se eu fosse escolher um
superpoder, escolheria resiliência: a capacidade de um objeto voltar à sua
forma original quando deformado. Eu já apanhei da vida, já caí sete vezes -- e
levantei oito. Vou apanhar mais, com certeza. Talvez, o tempo deixe as quedas
mais dolorosas, mas eu estarei mais forte também. Eu nunca vou pedir para que
os desafios cessem, para que eu só encontre pessoas boas, para que o mundo não
gire tão depressa a ponto de eu não saber acompanhar. O que eu peço é força
para seguir sempre em frente e, principalmente, não perder o brilho nos olhos e
o sorriso no rosto. Porque o tempo vem e, com ele, muitas quedas. E no meio de
tanta turbulência, forte mesmo é quem não deixa o coração endurecer demais,
quem é resiliente.
Afinal, sempre tem
alguém pra dividir o pacote de biscoito, pra dar o assento do ônibus para a
vovó, pra andar descalço na grama, pra sujar a roupa de sorvete, pra se
descabelar na montanha russa e, quem sabe, pra abraçar nosso coração.
Eu
não quero dizer que as pessoas são todas boas e que o mundo é cor de rosa --
isso seria tolice minha -- mas, como Yin Yang, sempre tem um pouco de bem no
mal e vice-versa. E o mundo? Ah, ele tem a cor que você quiser.
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