Talvez isso não interesse a muitos de vocês (ou aos poucos que ainda passam por aqui). Mas a Warner parou de passar Friends de madrugada. Geralmente, era de meia-noite à uma hora. Ela simplesmente... parou! Eu que me preparava toda para que meia-noite em ponto estivesse em frente à televisão escutando as palminhas da melhor abertura de todos os tempos.
Mas, não. Ela simplesmente... Cortou! Cancelou! Sem avisar nem nada! Não curti, não mesmo. E nós, fãs incontestáveis do Central Perk, que planejávamos tudo de acordo com os horários da série: 13 hrs, 18hrs e meia-noite (com alguma modificações de horários em dias específicos), como ficamos? E que, quando dormíamos cedo demais, ainda torcíamos para acordar 5:30 e pegar mais uma pontinha do episódio? Ou que, em caso de insônia, ficavam acordados até o mesmo horário? Que sempre nos adequamos aos seus horários e nunca reclamamos? Só agradecíamos de passar!
Mas assim, também, estão as pessoas. Paralelo ao mundo globalizado que nos conecta cada vez mais, andamos cada vez mais sozinhos. Ninguém mais pode contar com os outros, só consigo mesmo e olhe lá. Até em auto-sabotagem já ouvi falar. Cadê o respeito? Cadê a cumplicidade?
Os laços estão cada vez mais frouxos. Ninguém mais conversa sobre a própria vida e está tudo corrido demais. Horas nas redes sociais é o nosso meio para descobrir como antigos grandes amigos estão agora. Onde estão morando? Nossa... Namorando? E acontece tudo na velocidade da luz. De irmãos separados na maternidade a conhecidos. Isso em pouquíssimos dias. Sem aviso prévio.
Isso acontece muito comigo, que me mudo um pouco mais do que frequentemente. Quisera eu saber conservar todos os amigos que já tive. A gente lembra o que passou, mas talvez seja mais difícil lembrar o que passou pela gente. Nem sempre a minha vontade de conservar alguém seja a mesma vontade que alguém tem de me conservar. Talvez praticando o desapego, deixaram-me passar quando eu quis deixar uma parte minha para trás. Mas não se engane: eu deixei. E fui atropelada.
E aquela música que era a sua cara, mas não tive tempo de lhe mostrar? Se soubesse que aquela era a última vez que nos veríamos, teria lhe dito o quanto foi importante para mim enquanto estivemos por perto um do outro; e o quanto seria importante que continuássemos grudados, mesmo que separados. Diria a você que, quando começar o ano e não tivermos tempo para ficar horas conversando pela internet ou telefone, que me mandasse sempre notícias, que se lembrasse de mim. Pediria para levar um pedaço do seu coração comigo – mas não se preocupe, pois um pedaço do meu vai estar substituindo o que eu peguei do seu. Finalmente, lhe diria que, mesmo afastados, me ligasse só em caso de você precisar de ajuda.
O que eu não sabia era que você me superaria tão rápido. O que se supera é fim de relacionamento. Mas amizade não deveria ter fim. E você fez isso sem nem deixar bilhete.
O que eu não sabia era que você me superaria tão rápido. O que se supera é fim de relacionamento. Mas amizade não deveria ter fim. E você fez isso sem nem deixar bilhete.
Você foi o meu seriado favorito que deixou de passar.


