Nas minhas idas e vindas por aí,
já pensei muito quantos amores da minha vida eu deixei em outra cidade, em
outro país, em outro continente. Cheguei a uma conclusão: nenhum.
Nenhum, porque amor não
vê distância. Se é amor, é amor aqui e na China. Não se ama alguém pelas suas
qualidades, nem pela sua proximidade. Se ama por amar. Sem motivo e porque sim.
Se é amor, não é o
destino que vai juntar duas pessoas (ou mais, por que não?). Se é mesmo amor, o
destino pode trazer mil desencontros, que quem ama vai continuar encontrando.
Se duas pessoas se amam, vão continuar se desdobrando de mil e uma maneiras
para se encontrarem. Afinal, esse não é trabalho do destino, né?
Mas, escutamos sobre
amor e sobre amar de uma forma tão romantizada que tem gente que quer logo
viver isso tudo. E acaba amando o sentimento, não outra pessoa. Aí, vem frustração.
Vem choro. Vem sofrer-por-alguém-que-não-merece. Vem relacionamento abusivo. Vem
pseudo-amor. E, pensa comigo, sofrer por qualquer coisa que não seja de verdade
e, principalmente, recíproco, vale a pena? Também acho que não. Sofrer por não
conseguir manter um pseudo-amor não vale um fio de cabelo branco.
Que seja tranquilo com
sabor de fruta mordida, como desejava Cazuza, ou que seja difícil e cheio de situações
a superar – mas, que a gente saiba lutar pelo amor quando ele for de verdade.
Porque se é amor, vale a pena. Mas só se for amor.
