Peguei-me sem saber o que sentia. Nem escrevendo, que é como costumo organizar minha cabeça, consegui decifrar o que acontecia dentro dela. Talvez não seja preciso dar um nome aos sentimentos. Talvez seja até melhor não nomear nada, não definir nada. Só sentir, sem compromisso.
Tá aí... Sentir sem compromisso. Hoje eu quero, amanhã já não sei.
Por exemplo, hoje eu adoro chocolate e jamais concordaria com uma dieta. Amanhã, me inscrevo na academia. Por que não? Se a vida é assim, feita do que a gente faz. Eu quero experimentar vários sabores, várias cores, várias vidas. Eu quero começar tudo o que eu puder. Amanhã eu decido se continuo.
Maldita hora em que somos encorajados a acreditar em planos. Planos se vão, se perdem no tempo. Planos podem machucar – quando não se concretizam. Planos deixam a pior saudade: a saudade de uma coisa que nunca aconteceu. Ultimamente, a política do vamos-deixar-acontecer tem me agradado mais. Tenho praticado mais improviso, cansei de seguir o roteiro.
Tô gostando de aceitar as surpresas da vida, de ser levada pelo sopro. Desprendi-me de esperar o amanhã, parei de tentar decifrar o que ele vai dizer. Dei férias aos objetivos. Pelo menos, aos que são a longo prazo. E os objetivos que ainda tenho? Não sei se vão ser os mesmos amanhã.
