segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Além do que se vê

                O que mais faria bem? Estava decidida a mudar, mas nada lhe ocorria para que pudesse sentir alegria – que há tanto tempo não batia á sua porta. Tentava de tudo para olhar no espelho e ver, refletido, algo mais bonitinho: dietas malucas, roupas, cortes de cabelo, maquiagens... Tudo novo. Nada adiantava. Não existia mais nada que ela pudesse transformar. Nada lhe agradava.
                A luta interna que traçava entre o querer ser e o sê-lo a atormentava além das aparências. Maldita vergonha não dava espaço a pequena dose de coragem que lhe era necessária para fazer o que queria. A face avermelhada se exibia a qualquer olho que virasse em sua direção. Palavras mal saiam da boca: ”O que os outros iriam pensar?” – não poderia correr o risco de cometer alguma gafe social ou qualquer coisa do gênero: era melhor ficar calada. Mas os absurdos deste mundo ocupavam sua mente e ela não mais agüentava tanto daquilo. Ações e diálogos beirando o estúpido, corações seguindo caminhos sem sentido. Mentiras descaradas e traições. Aguentando tudo calada.
                Mas um dia, a gente explode. Pensamentos transformados em palavras tinham que ser ditos. Quem estava em volta precisava conhecê-la e ver quem era de verdade. A opinião de cada um não a incomodava mais, porque quem é amigo de verdade não se importaria com o que diria. E que não é amigo...Bem, quem não é amigo não precisa ter opinião. Não era mais justo ter tanta gente em volta e privá-los das idéias de mais alguém que os acompanhava há tempos. O pior mesmo é ter tanto a dizer e calar-se diante do covarde que amedronta. É necessário preencher o mundo com o novo, o inédito. Fascinar os donos de opiniões divergentes e ser fascinado também. Permita mostrar-se a quem deseja ver, e permita-se ver o que quer ser mostrado.
                Mas nunca, nunca se cale. Dê o direito ao seu coração de chorar e sorrir nas horas em que a emoção tomar conta. Permita ser merecedor da palavra. Admire o que pensa e quem é. Haverá uma hora que as mentiras que sustentam a imagem não serão tão fáceis de serem mantidas. Portanto, seja o que, de fato, consegue ser. E mostre para os quatro cantos do mundo quem você é. E seja.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Dialogando com a coragem

                Geeeeente, desculpem não estar tão freqüente aqui, mas o tempo tá meio curto nesses seis meses até o vestibular, então não tá dando pra fazer muita coisa por aqui :S
                O texto de hoje é meio viajado porque filosofia, redação, portugues e literatura no mesmo dia te deixa meio away mesmo. É uma segunda versão do texto anterior (que, por sianl, também e viajado... aliás, tudo é meio viajado e...)

                Deparava-me, mais uma vez, com aquelas situações as quais é necessário pensar, refletir. Os atos ou palavras não saem mais naturalmente como o “Bom dia” que se dá ao acordar. Se o objetivo é seguir em frente, não há outra opção além de acreditar – e juntar toda a força que vem de si para reuni-la em ações (ou reuni-las para frear as ações, tanto faz).
                Então, todo esse conjunto que leva a agir (ou frear) é a coragem.

                “Só isso? É só isso que eu sou?“              

                Segundo o dicionário: coragem-: co.ra.gem1  sf (fr ant corage) 1 Força ou energia moral ante o perigo; ânimo, bravura, denodo, firmeza, intrepidez, ousadia. 2 Constância, perseverança: Sofrer com coragem. 3 Desembaraço, franqueza, resolução. Antôn: covardia, medo.

                “E? Eu não me contento com essa definição saturada de palavras, não sou apenas usada diante um desafio; não me conhece, verdadeiramente, quem não repara em minhas letras: cor – coração; agem – agir.
                Eu faço (aquele que escuta o coração) vibrar com cada escolha certa e permanecer na que os outros julgam errada. Sou a persistência no incerto. Explicito de onde vem toda a força que move as escolhas. Eu crio o paradoxo entre a certa-razão e a necessária-emoção. Eu mudo sentidos e vou muito mais além de justificativas”

                Já percebia que a tal coragem não aparece apenas em tempos difíceis. Ela está ali, sempre que agimos com certeza. Quando temos dúvidas que rodeiam nosso coração, é através dele que agimos. Chorar, rir, abraçar, falar, sentir. Tudo que se faz, cada passo que se dá: ela está presente.
                O covarde “vive”. Respira o ar que nos envolve e está ali. É uma massa. Mas não constrói do jeito que quer ou não, nem fixa ao que lhe cerca. É necessário coragem para mudar e para permanecer. Só há ausência de coragem na presença da indiferença, quando não se importa entre o mudar ou permanecer, quando não se é e não quer-se ser.
                Tudo que se faça, então, seja feito com coragem.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

I Coríntios 16: 14 "Todas as vossas coisas sejam feitas com amor"

                Coragem é uma das palavras mais bonitas do vocabulário brasileiro. Segundo o dicionário é “s.f. Força ou energia moral que leva a afrontar os perigos; valor; destemor, ânimo, intrepidez, bravura, denodo: lutar com coragem.”
                Mas o que pouca gente sabe é: cor: coração; Agem: agir. Portanto, “agir com o coração”.
                A palavra torna-se mais clara. Fica explícita a força que nos leva a agir. E é a coisa mais linda do mundo. É necessário sempre ouvir ao coração para saber a necessidade que se tem.
                 A razão se constrói a partir do mundano, daquilo que se vive. Mas o coração, não. Ele é puro. Pouco importa-se com o que “está na moda”, com as razões humanas.
                A força que brota de nós é mais forte que qualquer opinião externa. Sobre o que se quer, a pesar de muitos contrariarem ou nem se quer entenderem, mesmo assim conseguires sustentar a idéia, é com coragem que estás a agir.
                O coração é atemporal. Sente através de razões que não nos são claras; no entanto, constitui um verdadeiro paradoxo: as razões são cristalinas também. Racionalmente, pouco se entende. Mas sabemos que faz sentido.
                Portanto, vá em frente. Sem medo de ser feliz, sem medo que os outros falem. Não há julgamento certo para as coisas feitas pelo coração.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A borra de café

                (...) Eu cheguei ao café e haviam algumas pessoas aglomeradas ao redor de uma das mesas. Cheguei perto, para ver o que estava acontecendo: uma mulher com um batom vermelho forte, um tecido roxo na cabeça, um vestido de manga comprida e jóias (aparentemente não muito verdadeiras) combinando.
                -O que ela está fazendo?
                -Lendo borras de café – me responde qualquer pessoa no meio da multidão.
                Prevendo o futuro? Ela deve ganhar rios de dinheiro assim. Ninguém mais acredita na própria capacidade de realizar as coisas. É tão simples ver um monte de manchas na sua xícara e... prontinho! Seu futuro tá feito.
                Mas não importa. Rendo-me aos encantos de saber o que será o futuro e entro na fila. As pessoas saem impressionadas de lá com uma caixinha na mão, olhando o que tem dentro. A curiosidade toma conta de mim e preciso saber o que acontece... o que acontecerá no meu futuro.
                Chegou minha vez: apresento-me e entrego minha xícara de café.
                - Hum...É...Uau!... – a senhora me deixa cada vez mais curiosa – Bem...Minha jovem...Como você gostaria de ver seu futuro?
                -Como assim? – já quero meu dinheiro de volta. Ela tem que me responder essa pergunta!
                -Como você se vê daqui alguns anos? Seu futuro, como você o quer?
                Já não entendo mais nada. Paguei para... nada!
                - É... Daqui a alguns anos, eu não sei! Mas agora, eu vejo que você não está vendo futuro nenhum na borra do meu café!
                -Estou sim! – a moça fala com certeza, e parece tão calma... Eu a olho desconfiada  – Vejo um monte de páginas em branco. Todinhas prontas para serem recheadas com aventuras que você mesma escreverá. E... aliás, você é a protagonista. Mas eu acho que você já percebeu isso...
                Meu queixo cai. Fico sem palavras.
                A moça continua me surpreendendo, sinto-me mal de tê-la julgado de tão má forma. Ela é... Impressionante!
                Ela me alcança uma caixinha, como para todas as outras pessoas:
                - Abra-a. Mas não mostre a ninguém.
                Abro a caixa. Tem um bilhete dentro:

“Você não está sozinho, Ele está contigo. Faça sua parte sempre, mas Deus tem um plano enorme para você. E você nem imagina... Quem escreve sua história é quem você vê dentro desta caixinha. Mas quem cuida dos detalhes é o Cara lá de cima. E, acredite em mim,ele sabe o que faz. Eu tenho certeza. Experiência própria, sabe como é...”

                Olho para o fundo da caixinha para ver “Quem escreve sua história é quem você vê aí...” e surpreendo-me com um espelho. Um espelho. Eu escrevo a minha história... Eu...

                No outro dia, uma manchete no jornal chama minha atenção: “Uma moça emociona diversas pessoas em uma cafeteria. Leia nas próximas páginas a lição de vida que a moça deu aos presentes. E que talvez você aproveite agora” (...)